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Arte, cultura e entretenimento sem limites para todos

Comer, beber, dormir. Ter segurança, aceitação social, amor. Pensar, criar, reinventar-se. O psicólogo Abrahan Maslow ficou conhecido por propor uma escala hierárquica de necessidades do ser humano. Na Pirâmide de Maslow, as necessidades de nível mais baixo (aquelas que ficam na base), devem ser supridas antes das necessidades de nível mais alto.

Podemos entender como necessidade básica tudo o que é fisiológico, como beber água. Mas, para chegar ao topo, no estágio de plenitude, além do básico, o ser humano precisa de experiências que o permitam explorar horizontes e aguçar novas percepções. Neste sentido, arte e cultura são imprescindíveis para elevar o indivíduo ao estado de realização pessoal.

Sempre fui uma apaixonada por arte e a deficiência nunca me desconectou dessa paixão. Algum tempo atrás, fui a uma exposição do Andy Warhol que acontecia aqui em São Paulo. A explosão de cores, muito presente no trabalho do artista, e a expressão bem clicada de cada rosto fotografado mexeram comigo de uma maneira profunda. Lembrei de quando fiquei meses internada em São Paulo e fui para Pittsburgh fazer reabilitação e a primeira vez que sentei numa cadeira de rodas quando saí do centro para ir ao museu do próprio Andy Warhol.

Diferente daquela Mara que, na primeira vez, esforçava-se para respirar novos ares fora do planeta paralisia. Diferente da Mara recém-acidentada, dessa vez me vi nas cores de Warhol e na ousadia das poses, da ruptura de padrões... Sai da exposição animada e com novas ideias e percepções do mundo, das pessoas e do meu trabalho.

Felizmente, muitos locais hoje contam com espaços projetados para atender a diversidade humana e oferecer recursos que aproximam cada vez mais pessoas com deficiência da arte e da cultura. Com o auxílio da audiodescrição, cegos podem ser tocados por um belo filme e surdos podem ter acesso a diálogos com o uso da legenda closed caption.

Deixo-me guiar pela música, pintura, cinema, literatura, dança, teatro e me alimento de novos conteúdos e emoções. Este guia que você tem em mãos traz roteiros acessíveis para que o público com deficiência possa expandir seus horizontes. Para isso, traçamos lugares na cidade de São Paulo e avaliamos itens como a acessibilidade física, acesso à informação, ao conteúdo e mediação, além de propostas inclusivas.

Entre teatros, museus, cinemas, centros culturais, casas de espetáculos e bibliotecas, o material traz locais que podem receber qualquer perfil de público, independente de condições físicas, sensoriais, intelectuais ou múltiplas – afinal, falamos de direitos preconizados por nossa legislação e que devem ser respeitados.

Rir, chorar, cantar, observar ou, simplesmente, silenciar-se diante de um movimento são emoções que jamais serão subtraídas por uma deficiência. Convide alguém com quem queira expandir seu mundo e preencha-se de novos repertórios.

Cultura e arte são alimentos para alma.

Aproveite.

Mara Gabrilli
Fundadora do Instituto Mara Gabrilli