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O universo da deficiência auditiva e surdez

O mundo do silêncio e a arte

Com pura emoção! Foi desta forma que a minha equipe recebeu a notícia de que participaríamos do Guia de Acessibilidade da cidade de São Paulo.

E que maravilha saber que em Nova Iorque, em Paris e na Disney estes guias já existem e são muito úteis para as pessoas com deficiência.

Em pleno desenvolvimento, o Brasil não pode ficar de fora. Temos que correr. Precisamos nos modernizar. Afinal, é impensável um país que não seja para todos. Para todos!

Pessoas com deficiência precisam ser respeitadas em seus direitos. Educação, lazer e arte fazem parte de uma tríade que completa o ser humano e o torna mais gente, mais útil e mais saudável socialmente.

Fico tão feliz quando caminho pela avenida Paulista ou pelo metrô e cruzo com amigos cegos, surdos ou cadeirantes. Gosto de perceber o sorriso nos lábios deles porque estão sendo respeitados. Pena que por outras ruas, a minha alegria ainda não seja a mesma...

Mas, vamos falar de arte! Teatros, cinemas, bibliotecas, auditórios, museus. Mais de 300 espaços culturais espalhados por São Paulo. A cidade que pulsa de manhã e à noite, também precisa incluir. Precisa pensar que a arte alimenta a alma e que deve atingir qualquer cidadão brasileiro.

E por que a pessoa com deficiência deveria ficar longe disso?

De jeito nenhum! Vamos pensar em rampas, em audiodescrição, Libras, legenda, mas, acima de tudo, vamos pensar nas pessoas e nas diferenças. Vamos reinventar para sermos melhores...

O mundo do silêncio me encanta. As pessoas surdas podem ou não falar. Há pessoas que nascem com deficiência auditiva, fazem o uso do aparelho auditivo, vão para a fonoaudióloga. Aprendem a falar. E leem bem a língua portuguesa. Estas pessoas precisam da legenda ou closed caption na TV, nos cinemas ou nos vídeos da web. Geralmente, elas fazem leitura labial. Muitos surdos não falam por opção ou porque têm um pouco de dificuldade em oralizar os sons. Eles gostam de ser chamados de surdos e usam a língua de sinais – a Libras, que é uma língua como outra qualquer, assim como o espanhol e o francês. Tem uma estrutura gramatical própria e não é universal. Cada país tem a sua própria língua de sinais. Os surdos adorariam ver intérpretes de Libras nos palcos dos teatros, nas telas dos cinemas, nas palestras, nos atendentes das bibliotecas, nas TVs espalhadas pelo metrô, nos aeroportos, hospitais, museus, nas pessoas ouvintes que podem aprender esta língua tão rica. Um dia, tudo isso ainda há de acontecer!

Este guia é um movimento de cidadania. Que mais e mais guias venham e que possam além de guiar, alertar para mudanças, apontar caminhos e inspirar para novas soluções, reflexões e ações para uma cidade mais humana e atenta para o outro.

Cláudia Cotes
presidente da ONG Vez da Voz - www.vezdavoz.com.br